Texto #8 de 40 textos aos 40
Volta e meia compro algum programa de exercício online. Os últimos foram um de calistenia e outro de mobilidade, mais voltado a praticantes de dança. Com isso, o algoritmo do Instagram começou a me lotar de anúncios de programas de exercícios, e, como sou homem, a maioria grita que você pode ter um corpo perfeito, com nomes do tipo “desafio 40 dias”, “tenha o corpo que sempre quis”, ou “From dad body to wow daddy!” (Do corpo de pai para o “uau, papai)”
Programas de calistenia são particularmente problemáticos, porque são exercícios pesados, se você tentar fazer um dragon flag sem preparar muito bem os músculos do abdômem, pode ter certeza que a lesão vem.
Quem não gosta de ver corpos bonitos, malhados e sarados fazendo movimentos desafiadores? Mas o efeito do bombardeio disso no meu Instagram foi notar como uma pequena parte de mim passou a desejar ter um corpo diferente. Aquele sentimentozinho de insatisfação, eu poderia ter um corpo mais musculoso, por que não?
Ouvi no podcast do Trevor Noah (não lembro o entrevistado) que todo mundo pode ter um corpo incrível se essa for uma das suas top 3 prioridades na vida. Essa frase te obriga a encarar, é isso que você quer? Não está na lista de prioridades, então relaxa. Foca na saúde.
Mas é incrível, porque uma coisa é você ler sobre o efeito da hiperexposição de imagens na formação (ou destruição) da autoestima, outra coisa é sentir isso sendo alguém que se achava imune a esse tipo de coisa. O buraco é sempre mais embaixo.
Neste momento, já faz mais de um mês que comprei o último programa de treino, e os algoritmos já estão voltando à programação normal de bonequinhos de madeira e projetos de papelão, com eventuais homem gostosos nas barras paralelas. Mas caramba, como essa rede zoa a cabeça, não?