Rodrigovk
Escritor, faz-tudo, editor e pai

Como uma colônia de kabouters veio a se estabelecer em Holambra [A Outra Holambra]

A Outra Holambra é uma série de minicontos fantásticos inspirados pela cidade, publicado no jornal local. O texto abaixo foi para a edição especial de aniversário da cidade.

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Para a resposta precisamos ir a Riethoven, Holanda, no inverno de 1952, quando o rei kabouter Kyrië levou um tiro de um caçador que o confundiu com um pequeno animal, talvez um coelho. Kyrië teve forças somente para chegar a Duivelsberg (Montanha do Diabo), onde a grande colônia de kabouters chorou a morte de seu rei. Desde então, nenhum kabouter foi visto na região.

Essa parte está na Wikipedia. O que não está é a decisão que veio a seguir: enfiar-se nos porões de um navio cargueiro rumo ao Brasil, e o resto é história.

“Como assim, narrador?” pergunta Roel, coçando a cabeça. “Não era para escrever sobre a colônia? Por que só o começo? Por que não falar do incidente com o Saci em 1960, quando metade do pessoal se mandou para Paranapanema? Ou dos duendes brasileiros que se juntaram a nós?”

Bom, o espaço da coluna…

“Olha, uma árvore não é o ano em que foi plantada, ou um inverno particularmente difícil. Uma árvore carrega essas marcas no tronco, mas também é seus frutos, sementes e folhas.”

Vou tentar de novo. Poderíamos voltar a 1952, com Kyrië, ou a 1991 quando a vila ganhou seu espaço nos registros folclóricos nacionais. Mas ainda faltaria espaço para contar cada abraço, cada beijo, dança circular ou chave encontrada. É dessa e de outras magias que são feitas as colônias de kabouters.

“E cidades humanas”, completa Roel, batendo os tamancos. “Humanos… Nunca acertam da primeira vez.”


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