Hoje eu vou falar um pouco sobre curadoria, mas esse é um assunto complicado, pois eu poderia falar por horas. Nesse assunto entram também questões como algoritmos de recomendação, do Netflix, do Instagram, do Spotify, e eu tenho muito a reclamar disso, mas eu vou deixar esses resmungos para outro dia.
O que eu queria falar hoje é sobre um programa chamado Hyperdrive, que é um programa de corrida, basicamente o que eu queria ter assistido quando eu tinha 12 anos de idade. Imagine inventar uma corrida com seus amigos: “então você tem que vir aqui, dar um zerinho, voltar, atravessar esse contêiner cinco centímetros maior que o seu carro”, e é basicamente isso com carros de verdade e pilotos adultos. É muito divertido, recomendo demais.
O curioso é que eu nunca havia ouvido falar desse programa. Estava dando uma fuçada no perfil do Netflix do meu sogro, olhando as recomendações que aparecem para ele. São muito diferentes das recomendações que aparecem para mim. Em casa o que eu assisto é Queer Eye e The Good Place então esse tipo de programa nunca apareceria para mim.
Então fica a questão, “o que a gente está perdendo?”
Mas essa é uma pergunta estúpida se você parar para pensar, porque a gente sempre vai estar perdendo alguma coisa, a internet tem conteúdo demais, não faz sentido pensar isso. Mas então, como a gente escolhe o que assiste?
Penso muito sobre curadoria, sempre gostei e trabalhei com isso na Internet. E nisso eu me pergunto muito se robôs (ou software, ou algoritmo, ou que nome você quiser dar) são melhores que a gente em curadoria.
Por um lado o software consegue consumir um volume de conteúdo muito maior do que a gente jamais conseguirá, mas, talvez porque os softwares são crus, e um dia serão melhores, é que a gente acaba recebendo mais do mesmo, ah, é isso aqui que você gosta, então assiste isso aqui.
Então acabamos em uma zona de conforto, o algoritmo não mostra alguma coisa um pouco mais desafiadora. Mas tem a questão, você quer algo mais desafiador? Não vou me aprofundar muito nesse assunto sobre se desafiar ou não com cultura, porque dá para entrar num buraco muito grande aí, mas vou puxar um exemplo: as playlists de recomendação do Spotify.
Eu gosto muito delas (a descobertas da semana, entre outras). A verdade é que descobri músicas e bandas que gosto muito naquelas playlists, aos poucos vou colocando aqui recomendando as músicas. É aquela coisa, tem muita coisa média, muita coisa meh, uma quantidade insuportável de covers de músicas que já ouço (eu já gosto da original, não preciso do cover, sai daqui Spotify). Mas tem essas pérolas que fazem essas playlists valerem a pena.
E eu também estava pensando que ninguém mais recomenda música. Antes meus amigos estavam sempre trocando, “escuta isso”, hoje parece que está cada um ouvindo a sua musiquinha com vergonha do que a gente ouve. O que é muito curioso, porque quanto mais velho eu fico menos vergonha tenho das coisas que escuto.
Para encerrar, deixo vocês com a música “Most of us are strangers“, do Seafret com participação da cantora Céu, que no ano passado eu ouvi mais vezes do que eu gostaria de admitir.
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