Como alguém que trabalha com marketing, e alguém que criou certo ranço de redes sociais eu fico meio num beco. Alimentar o monstro com conteúdo que viraliza ou produzir algo mais autoral? Como eu faço para promover o negócio sem sentir que quem ganha mesmo é o Mark Zuckemberg?
Estava com isso na cabeça enquanto eu falhava nos últimos tempos em atualizar as redes sociais. Olha que louco essa ideia de que se gente não atualiza a rede morre, como se fosse algo vivo.
Porque o dilema é o seguinte: ou eu trabalho, faço as coisas que tem que fazer, ou produzo conteúdo. Se na teoria eu sei que me filmar construindo o espaço Kabouter, fazendo uma mesa ou regando concreto pode ser interessante como conteúdo, o trabalho em fazer para a câmera é bem maior. Tem que pensar em ângulo, apertar o botão, gravar. E depois ainda tem que editar e publicar.
E se hoje o melhor jeito de chamar a atenção é mesmo no vídeo, mas, ao mesmo tempo, não acho que o vídeo, principalmente no Instagram, tenha sustentação de longo prazo. Diferente de um blog ou mesmo um canal no Youtube, onde o que você publica está lá para ser descoberto, angariando cada vez mais leituras com o passar do tempo, redes sociais seguem uma lógica meio insana, onde o que importa são as últimas 24 horas. Até porque depois disso tudo desaparece. É muito trabalho para pouco retorno.
Eu tenho filmado bastante. Por exemplo, a oficina de carrinhos de rolimã que a gente fez. Eu tirei fotos, gravei, tenho bastante coisa legal para fazer um videozinho. Mas falta tempo para sentar e organizar tudo isso num vídeo coerente.
Até porque o meu processo não é exatamente coerente e concentrado. Eu faço um tampo de mesa agora, os pés depois de dois meses, e vou lixar daqui a três. Ou, na agrofloresta, a graça mesmo seria mostrar a mudinha, os cuidados e ela virando arvorezinha. Isso demanda uma categorização, uma organização do material que eu gravo, que eu simplesmente não tenho. Ou melhor, que não é prioridade aqui.
Então eu fico pensando no que eu quero fazer. Porque o meu lance não é produzir um vídeo ensinando a fazer o carrinho, ou mostrando todo o processo. Quero mais mostrar a criação do espaço Kabouter numa escala maior de tempo, para dar às pessoas a sensação de acompanhar o que acontece aqui, do meu lado. Hoje você vê um pedaço da mesa, e daqui dois meses outro pedaço, e as coisas vão se juntando, numa escala de tempo que talvez não faça sentido nas redes sociais.
Imagine a cena: você vem me ajudar a irrigar as plantas, ou serrar umas madeiras. A gente bate um papo aleatório enquanto trabalha. Você volta toda semana, e depois de alguns anos, sente que faz parte dessa história. É assim que estou imaginando esse novo formato de conteúdo. No vídeo um pouco do que rolou durante a semana, no áudio e texto um bate-papo gostoso.
Eu não sei exatamente o que é esse vídeo, essa newsletter, mas é um pouco do que tem se passado na minha cabeça.
Tenho pensado nesse formato aqui para brincar, uma mistura de várias coisas, do Egotrip, do blog, da produção de conteúdo, do marketing para redes sociais. Texto e vídeo que não casam. Fazer algo esquisito porque sim.
Não sei se é uma mistura que vai dar certo. E ainda estou decidindo se faz sentido juntar tudo numa coisa só. Aqueles que me conhecem do Viver da Escrita ou como autor de ficção científica provavelmente não querem saber sobre um jeito sustentável de lidar com formigas. E quem busca saber o que acontece no Espaço Kabouter não vai ter paciência para meus pensamentos prolixos sobre cultura e tecnologia.
Mas eu sou tudo isso. E se a vida é uma performance, vale a pena manter caixinhas separadas?
Fica em aberto. O que você acha? Pode me mandar uma mensagem por aqui, whatsapp, telegram, o que preferir! Até mais!