Rodrigovk
Escritor, faz-tudo, editor e pai

Tak + portas de bambu

Quanto mais tempo eu demoro para publicar este texto maior a autocobrança, como se existisse uma relação entre o espaçamento das mensagens e a qualidade.

Mas não. Melhor puxar o esparadrapo de uma vez. Subir de novo na bicicleta e voltar a pedalar. Então, esta é uma newsletter daquele tipo que você limpa a bagunça, arruma o que tem que arrumar, e se prepara para escrever coisas melhores nas próximas.

Costumo varrer o galpão Espaço Kabouter dia sim, dia não. Se fosse um mestre em qualquer templo ou local japonês, seria “uau, até o mestre limpa o chão, um sinal de respeito ao lugar de trabalho”, mas, como sou eu, “não sabe delegar tarefas ou priorizar”. ( ノ ゚ー゚)ノ


O que li, assisti e vi

  • Assisti O Menino e a Garça, do Myazaki. É bonito, e parece trazer novamente vários elementos de outros filmes, em especial me parece uma mistura de “A viagem de Chihiro” com “O Castelo Animado” com um toque de “Nausicaa”. Princesa Mononoke continua sendo meu favorito.
  • Por acaso me deparei com um texto que “explica” O Menino e a Garça, e caramba, eu não entendi nada. Mas me pergunto se um filme desses é pra entender.
  • Vi “Next Gen” na Noite do Filme com as crianças, e é médio. Muita explosão e pouco personagem. Se é para assistir “robôs assistentes pessoais se revoltando”, veja Família Mitchell, é muito incrível. Ou até o simpático “Ron Bugado” da Disney.
  • Estamos avançando na saga Harry Potter com as crianças, estamos no terceiro filme. Na minha lembrança os filmes eram melhores… A motivação de vários personagens é estranha…
  • Assistimos o filme do Herby (Se meu Fusca falasse), a versão de 2005, com a Lindsey Lohan. Bem divertido.
  • Estou lendo “A insustentável leveza do ser”, e lembrando da frase do Austin Kleon: “leia os clássicos, eles são mais estranhos do que você pensa.” É muito doido olhar aquelas reflexões sobre o sentido da vida, sobre relacionamentos, que parecem dizer sobre redes sociais, mas é só ser humano mesmo.
  • Li os três primeiros livros da saga da Princesa Desastrada, na qual minha filha é viciada (foi até o tema do aniversário dela). Não vou criticar, porque ficou claro que o livro não é pra mim, não é bem minha vibe. Mas foi o livro que transformou minha filha leitora em leitora voraz, então, meus agradecimentos à Maidy Lacerda.
  • Vimos Ghostbusters, o clássico, com as crianças. Continua divertido, adoro personagens canastrões dos anos 80. Tem algumas cenas inadequadas, mas passaram batido (acho).
  • Voltei a treinar calistenia, depois de um tempo parado, tinha voltado a escrever o romance, mas… enfim é papo para uma newsletter inteira, talvez a próxima.

Tak – Encomende com seu marceneiro favorito

Tak é um jogo do universo fictício de “O nome do vento” de Patrick Rothfuss, tornado real pelo game designer James Ernest. Como nenhuma produtora grande trouxe o jogo para o Brasil, resolvi fazer o meu.

É um dos jogos mais legais de jogar com as crianças. A partida é rápida, geralmente não passa de 15 minutos, e jogamos várias vezes em seguida.

Como estou precisando de dinheiro; e como acredito que nesta newsletter tenha um bando de nerds que gostam tanto do Patrick Rothfuss quanto de jogos de tabuleiro, estou fazendo o Tak sob encomenda. As peças, um tabuleiro lindão, manual em português, uma caixinha simpática.

Tudo feito à mão, como o Kinder Ovo de antigamente, pela bagatela de 120 realidades, frete para o Brasil incluso. Que presentão de Natal pro seu nerd favorito, hein?

Também vou mandar o Tak para os apoiadores do Espaço Kabouter. O apoio ao espaço custa 50 reais por mês, e você, além de apoiar um projeto incrível, ganha mimos de vez em quando. Então, em vez de pagar 120 reais, você pode se tornar um apoiador, olha a oportunidade!

Responda a esse email e vamos conversar. A oferta vale somente este mês de novembro.


Novidades no Espaço Kabouter

Faz tanto tempo que não apareço por aqui que não sei nem como estava o galpão da última vez que nos vimos. Então gravei este videozinho maroto de como está agora.

Os últimos rolês foram a construção de um galpãozinho para armazenar madeira de demolição (ainda sem telhado), um portão diferentão, e o plantio de alguns arbustos decorativos, já que tinha as mudas disponíveis por aqui. E meia dúzia de touceira de capim cidreira, pois, chá. Ah, e um portão bonito.

Curioso é que esse portão está no terceiro kit de dobradiças. Os primeiros que comprei não deram conta, depois comprei um mais parrudo, que quebrou também. Então veio a versão da dobradiça, que parece estar aguentando.

Organizei um curso de solda aqui no espaço justamente para fabricar os pinos pivôs das portas (já que comprar pronto todos os 20 pares ia ficar caro). Estou confiando DEMAIS que os rolamentos vão dar conta (e as portas ficaram leves).

Também fiz um cajón, (e organizei uma oficina de cajón por aqui).

Por fim, construí portas pivotantes de bambu para o espaço. Só fiz uma das laterais, a outra vai demorar um pouco. Dessa vez filmei todo o processo, do início ao fim.

Agora, os próximos projetos são a construção de luminárias em forma de zome como iluminação principal do galpão e construção da porta do espaço, que vai dar mais privacidade e segurança.


Links bacanudos

Tem um milhão de links aqui na pastinha, mas escolhi só os cinco que realmente valem a leitura:

​Empadão do Amor​

Um conto de horror de Lis Vilas Boas

​Full Days and Long Walk – Craig Mod​

(Especialmente a parte “Craft and Art”) The insidiousness of how quickly social media immolates the creative impulse, shocks. Does it get you to “create” things? Sure, but within the bland confines of what the algorithm thinks you should create, what the algorithm “knows” will drive engagement.

​Against Thermocolonialism – Andrew Dana Hudson​ There’s a sense that AC unnaturally separates us from our environment whereas heating provides a necessary and deeply human refuge within it. Gathering around the fire, etc. Again, I’m not sure either of those narratives is wrong, but trying to switch them around in my mind — cooling as refuge; heating as illusion — reveals how deep my cultural biases about them run.

​Magic, online! – Nick Susi​

This question, “is it real or fake,” is as old as technology, electric media and magic itself. Similar to the “peak of inflated expectations” on the Gartner Hype Cycle, every new wave of technological innovation since the telegram has come with ​magical thinking​.

​Mataram o tédio. E quem morreu? – Ana Rushe​

Ao redor, a paisagem do desânimo. Ninguém estava exatamente vivo. Ou devidamente morto. Solitárias, as bochechas amassadas pelos punhos e as testas escorrendo pelas mãos. Os ombros desmanchados em uma baba transcendental. Olha, creatina nenhuma é capaz de nos salvar da postura antropocênica: todo o centro do corpo, todos os olhos vitrificados, todos os umbigos unidos ao fio de silício.

Lembrete

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