Rodrigovk
Escritor, faz-tudo, editor e pai

Dinheiro é coisa do demonho?

Estou aqui, mais uma vez, para falar de dinheiro. Quero entender a obsessão por essa gigantesca crença que estrutura toda a nossa sociedade. Esse é um daqueles textos que você escreve:

  • Para tirar da frente (está por trás de outras coisas mais complexas que penso/quero escrever sobre).
  • Para tentar entender um punhado de ideias confusas na minha cabeça.

Quis colocar tudo sobre dinheiro neste texto aqui, para livrar espaço para coisas muito mais legais sobre cultura e arte, e deixar o dinheiro de lado.

Aviso importante: não sou economista, e esta não é uma aula de economia. É só como a minha visão altamente distorcida enxerga o dinheiro e o mercado financeiro.

(Texto #22 de 40 textos aos 40)

O que exatamente é o dinheiro?

Já escrevi sobre o problema da escala, sobre a Teoria Econômica Mario Kart, e principalmente, sobre sobre anticapitalismo, que tocam no tema. Esse último recomendo antes do que escrevi aqui, um grande resmungo sobre as coisas como são.

Do começo: dinheiro é uma abstração. Uma camada de crença profundamente arraigada em quase todo ser humano para lubrificar as relações comerciais (trocas), principalmente a troca de horas de vida por trabalho.

Daí pra cima, cada vez mais abstrato: o primeiro nível de abstração é trocar o fruto desse trabalho, que é o comércio básico. Milho por galinha, sapatos por chips de computador.

Bora complicar.

Parte 1: Mercado financeiro e o demonho

Bolsa de valores: no rasinho, funciona assim: eu tenho uma empresa que produz cimento e preciso abrir uma nova fábrica. Então eu abro o capital na bolsa, ou seja, eu pego dinheiro emprestado de acionistas que passam a receber uma porcentagem do lucro da minha fábrica.

Até aí, tudo bem. Daqui para cima começa a bizarrice. Digo “para cima” porque estou subindo a abstração. Explicando: quanto mais distante o dinheiro do item real que ele representa (ou para a hora de trabalho que representa), maior o nível de abstração, ou, mais abstrata e indireta é a sua relação. Talvez os exemplos deixem mais claros.

Um agente do mercado, um banco, por exemplo, pode agrupar todas as fábricas de cimento em um único ativo, e você pode fazer um investimento agrupado, assim, se uma fábrica quebrar, ou se houver consolidação, suas ações valem mais. Reduz o risco (e aumenta o incentivo para o monopólio.)

Aí você pode agrupar várias empresas de segmentos diferentes, e permitir uma carteira diversificada (e mais segura), e a cada nível os intermediários abocanham uma fatia a mais do montante. (Você já deve estar percebendo o efeito xibombombom aqui.)

O que não teria problema algum se o efeito dessa concentração de renda no mercado de capitais não tivesse problemas concretos aqui embaixo: além do óbvio aumento de desigualdade, você tem uma sociedade com os incentivos errados: é muito mais rentável investir no mercado financeiro do que correr o risco de abrir uma empresa, ou expandi-la. Se o cabra tem 50 milhões de reais parado, é estupidez abrir, sei lá, uma fabriquinha de chocolate premium que poderia empregar umas 50 pessoas, mais fácil investir tudo no mercado financeiro. Retorno sem trabalho.

Quando qualquer varejo está muito mais interessado em ser um banco (fazer crediário, vender cartão de crédito) do que vender brusinha, tem algo de errado.

(A gente deveria ter um sistema fiscal que corrigisse esse tipo de bizarrice, porém, governos de esquerda e direita já foram totalmente capturados pelos interesses do mercado.)

Tem um exemplo que me deixa puto: a consolidação do mercado imobiliário: grandes conglomerados têm comprado imóveis de aluguel, prédios, condomínios, etc. São conglomerados com capital abertos na bolsa, então recebem investimento. Isso torna possível investir em um grande grupo de imóveis, que vai gerar uma renda de aluguel para o investidor, sem precisar construir ou comprar de fato.

O efeito disso no chão é que esses grupos têm verba para deixar imóveis vazios por mais tempo, o que possibilita subir o preço do aluguel. Se um mesmo grupo domina todos os imóveis de uma região, você já tem aí o monopólio, o preço sobe ainda mais. Com o capital aberto, é preciso redistribuir o lucro para os acionistas, então você tem aí toda uma classe de intermediários para tirar uma parte da renda, precisa subir o preço para bancar. Por fim, com tamanho o bastante, reduz o incentivo para você cuidar bem dos imóveis, afinal, não é como se o cliente pudesse encontrar outras opções.

O resultado são imóveis com aluguel mais caro, nos quais os inquilinos não têm contato com o proprietário para resolver problemas (bom, o proprietário é um grande grupo, e boa sorte tentar resolver o vazamento da sua pia com o callcenter da empresona.)

Parece que estou no campo das ideias aqui, mas isso já acontece massivamente no Estados Unidos, e tem chegado em cidades do Brasil também.

É a mesma história de ser vegetariano, eu não gosto de me sentir contribuindo para o agravamento dos problemas ambientais. Eu não gosto de investir em renda passiva, porque me sinto contribuindo para o agravamento dos problemas socioeconômicos.

Na minha linha de raciocínio, ao comprar ações, eu estou investindo naqueles que já têm bilhões de dólares. Se eu ganhar dois real, o Zuck Bezos Musk ganha três.

Um amigo meu tem dois contrapontos: primeiro, que se você, aqui na sua cidade, ganha um punhado de dinheiro para gastar aqui, isso beneficia a economia ao seu redor, mesmo que lá longe um bilionário fique mais rico. O segundo vai na linha do “o mundo é assim, a gente joga com as cartas dadas e tenta mudar o baralho.”

Concordo com os dois argumentos, ainda assim… Acho que a maioria das pessoas não frita o cérebro nesse nível de abstração, as pessoas são normais. (E toca o mantra: não se resolve problemas sistêmicos com ações individuais, não existe consumo ético em um sistema antiético.)

Parte 2: Bancos e o demonho

(Texto #23 de 40 textos aos 40)

Vamos voltar a falar de dinheiro. Dinheiro não é qualquer abstração, dinheiro é a abstração do poder. Ter dinheiro é, para todos os fins, a capacidade de executar ou fazer com que seja executado o que você quer no mundo, e isso, em sociedades disfuncionais, inclui até mudar leis.

O que é um banco? Por que a relação tão próxima dos bancos com o poder do estado?

O papel do banco é “inventar dinheiro”. Se você quer abrir uma padaria, você vai ao banco pedir um empréstimo para comprar um forno. Então o banco inventa esse dinheiro, você abre sua padaria, e na hora que pagar de volta esse empréstimo, existe ali um negócio funcionando, movimentando a economia, contratando humanos e fornecendo pãozim quentim pra gente.

É aí que nasce a proximidade do sistema bancário com o Estado. Um estado capaz de incentivar o empreendedorismo em qualquer escala, é um sistema capaz de emprestar dinheiro, ou, em alguma medida, capaz de “tirar esse dinheiro do nada” por meio de mecanismos financeiros. Fingir que o valor existe até passar a existir.

De novo, quando a coisa fica aqui, perto do chão, faz sentido. Agora, se você sobe alguns degraus na abstração, você termina com bancos que financiam outros programas abstratos, como “recompra de dívidas”, ou com os livros-caixa adulterados, e uma movimentação enorme de dinheiro que não tem qualquer lastro ou retorno à sociedade. O resultado acaba virando dinheiro sem lastro, inflação e perda de confiabilidade.

O problema desse modelo que gera bilionários é que esse dinheiro não gera impacto comparativo ao valor, o dinheiro chega por meio de abstrações e mais abstrações, sendo o pé na realidade algo distante.

Voltamos aos incentivos. Abrir um negócio que emprega pessoas é estupidez, melhor investir no mercado financeiro.

Sim, eu sei, em algum ponto o mercado financeiro encontra a realidade sólida. Mas essa distância é justamente o problema. Está longe demais. (Por alguma razão, o “mercado financeiro” continua acreditando que o investimento tem lastro, mas a bolha sempre estoura. A próxima provavelmente vai ser a da IA. O “outro” problema é que essas crises ferram com o investidor comum, a ralé, enquanto os grandes já pularam do barco antes. Xibombombom.)

Parte 3: Bilionários e o demonho

(Texto #24 de 40 textos aos 40)

Tem gente que não gosta de me ouvir reclamando de bilionários. Mas cara, um bilhão é muito, muito, muito dinheiro. O fato de existirem bilionários (e um trilionário, infelizmente), prova que falhamos como sociedade. Para ter uma noção de quanto dinheiro é um bilhão:

Um milhão de segundos corresponde a 11 dias.
Um bilhão de segundos corresponde a 31 anos.

O salário mínimo é de 1621 reais. Se economizar o salário mínimo inteiro, um trabalhador levaria 51 anos para chegar ao milhão. E 51 mil anos para chegar ao bilhão (sim, isso é pré-civilização)

Vamos fazer as contas com um salário mais recheado, sim? 30 mil reais por mês. Nessa faixa, chega-se ao milhão em menos de três anos. Ao bilhão em 2.700 anos.

A ONU estima que com 93 bilhões de dólares seria possível resolver o problema da fome no mundo todo em 2030. É menos do que a fortuna de algumas pessoas.

Entende por que eu fico puto com a existência de bilionários? Nenhum indivíduo deveria ter tanto poder nesse mundo.

Eu sei que nenhum bilionário tem um caixa forte guardando moedas dinheiro como o tio patinhas, essa fortuna toda é calculada a partir das ações de suas posses, iada, iada. Mas é dinheiro demaaaaais, quem, aqui na vida real, pode perder 95% de todas as suas posses e ainda viver em pleno conforto pelo resto da vida (e dos seus filhos, e netos… )?

Tem uma história engraçada sobre Yvon Chouinard, fundador da Patagônia: um belo dia ele se viu na lista de bilionários da Forbes e saiu xingando todo mundo. (Não é que ele tinha um bilhão na conta, mas era o principal acionista de sua empresa, que foi avaliada nesse valor.)

Depois de um bom tempo em reuniões com as melhores equipes de contabilidade do mundo, encontraram uma solução: passar as ações a duas fundações independentes, uma com o objetivo de guiar a empresa em sua missão sustentável, e outra para receber o lucro e aplicá-lo em causas ambientais pelo mundo.

É por isso que eu odeio bilionários. Yvon Chouinard deveria ser a regra, não a exceção. São dragões deitados em suas fortunas, ou pior, usando-as para tornar o mundo um pouco pior para todo mundo.

(Eu nem ia entrar no mérito de como isso acontece, mas, já que estou com raiva, vamos só citar o exemplo de que a Meta sempre soube — e relatórios internos comprovam — que seus produtos são prejudiciais para adolescentes . E citar que os armazéns da Amazon são campeões de acidentes de trabalhos e os funcionários monitorados, com desconto na folha de pagamento por pausas para banheiro ou hidratação.)

Uffs. E já que estou jogando merda no ventilador, o que é essa Copa com um milhão de anúncio de Bet? Bet, gente, Bet! Logo a gente vai olhar isso tudo como os anúncios de cigarro nos anos 80, como é que a gente deixou isso acontecer? Cassino pelo menos emprega gente, Bet é só… lavagem de dinheiro? Provavelmente.

É uma movimentação enorme de dinheiro sem nenhuma relação com o mundo real. Grana que circula de baixo para cima sem trazer retorno algum. Tanto que varejistas brasileiros já demonstram perdas financeiras porque o público está perdendo aquela sobrinha de dinheiro com bet.

Se dinheiro é energia potencial, eu olho tudo isso, essa energia estagnada, e fico… Sei lá, desapontado? Imagina tudo o que daria para ser feito com essa grana que está indo para bilionários, para casas de aposta, para abstrações. Energia estagnada é igual água parada: uma hora vai dar ruim.

“Não é a vida como está, e sim as coisas como são”, como diz a letra do Legião Urbana.

Parte 4: Dinheiro traz felicidade

(Texto #25 de 40 textos aos 40)

Exato, não tem um ponto de interrogação ali em cima. A ideia de que dinheiro não traz felicidade é só desculpa de gente rica para não aumentar salário.

Claro que se fosse simples assim não teria um intertítulo só pra dizer isso. Já passei horas e horas fritando e pesquisando e lendo sobre essa relação sobre dinheiro e felicidade, e, sempre, o buraco é mais embaixo.

Vamos começar por cima. Existe uma estima de que a sua vida não muda absolutamente nada acima de 37 milhões de dólares por ano. Esse seria o teto do que o mundo consegue te oferecer, salvo bizarrices pontuais.

Agora vamos para o outro lado: falta de dinheiro traz infelicidade. Pirâmide de Maslow. Moradia adequada, saúde, uma alimentação de qualidade, educação e entretenimento. Tudo isso custa dinheiro: quanto mais perto do piso, maior o retorno trazido por cada 50 reais a mais na conta.

Sem falar que a vida na pobreza é uma vida repleta de medo. Medo de não chegar no valor ao fim do mês, medo da violência, do tráfico, da polícia, do dono do morro, enfim. Medo é o oposto de felicidade.

Ou seja, a relação entre dinheiro e felicidade é uma curva de retorno reduzido. Quando menos você ganha, mais o dinheiro vai sim comprar saúde, tranquilidade, paz de espírito, e principalmente, tempo pra você. Quanto mais você sobe, mil, dois mil reais a mais no salário já não faz diferença.

Pesquisas apontam que perto de quinze mil reais por mês já é o suficiente para que valores acima disso não tenham efeito relevante para a felicidade do sujeito. E é por isso que eu não entendo como o povo lá de cima consegue bancar o vilão cartunesco…

Agora, vamos jogar um complicador bacana?

Parte 5: O dinheiro pode zoar com os seus valores

(Texto #26 de 40 textos aos 40)

Digo isso não como um efeito individual, falha de caráter, mas como um efeito sistêmico da desigualdade social. Ih, complicou.

A ideia de felicidade tem uma relação próxima com o senso se pertencimento, de comunidade. Dinheiro entra de atravessado em tudo isso.

Se você não ganha tanto quanto as pessoas à sua volta, você não se sente pertencendo. Isso traz infelicidade. Mas, a partir de um certo ponto, o dinheiro permite que você troque a sua comunidade espontânea por uma comunidade paga.

Tem muito mais aqui e isso merece um texto próprio, mas em resumo: quando você não tem dinheiro, você precisa mais da comunidade. Vai emprestar a furadeira do vizinho, vai pedir para sua mãe olhar as crianças enquanto você faz aquele trabalho extra, vai fazer uma marmita a mais pra levar pra vizinha que acabou de ter o bebê. Esse tipo de pequenas ações criam uma espécie de compromisso, de vontade de retribuição, numa moeda tão inexata que a conta nunca vai fechar. Essa conta aberta é uma comunidade. Eu cuido dos meus quando eles precisam, e vice-versa.

O dinheiro entra como um atravessador nessa história, se eu posso comprar uma furadeira, contratar uma babá, pagar restaurante, etc, esses serviços têm um valor exato e expresso em moeda, e não criam comunidade. O dinheiro pode gerar isolamento e uma falsa sensação de independência e autoridade (o que Christian Dunker vai chamar de “lógica do condomínio“) .

E a gente chega no Michel Alcoforado, que vai dizer que o maior medo do rico é deixar de ser rico, de ter que depender dos outros. (E que a vida do rico é uma constante tentativa de reafirmar seu lugar no estrato social).

Parte 6: Dinheiro e o demonho

(Texto #27 de 40 textos aos 40)

Às vezes entro numas viagens, até penso em escrever essa ficção científica: e se, sei lá, um hacker, uma varinha de condão, um ataque alienígena, cortasse os últimos zeros das contas bancárias?

Ou se a sociedade decidisse que 8 dígitos é o suficiente. Se você chegar a 99 milhões, você ganha um troféu “parabéns, você venceu o capitalismo”, qualquer coisa a mais vai pra sociedade.

O que aconteceria se esses zeros a mais desaparecessem? A gente reduziria a desigualdade do mundo assim, dois palito.

Acho que já está bem claro, mas como isso aqui é internet, deixa eu escrever com todas as letras: eu não acho que dinheiro é sujo. Normal e saudável querer ganhar mais, querer estabilidade econômica, um carro melhor, uma casa com quintal, um futuro melhor às crianças.

Acho mega saudável abrir uma empresa e tentar crescer, vender mais, empregar mais gente, beneficiar a comunidade ao redor. A classe executiva esqueceu esse último ponto. O segredo é abrir uma empresa que seja só um escritório com 2 pessoas, e todo o trabalho terceirizado para agentes indianos ou fábricas chinesas. (Ou pior, “abrir uma empresa” que é só uma fachada para um agente de IA).

Acho saudável uma sociedade ter seus milionários, e esperava que esses caras usassem sua fortuna para empurrar a sociedade à sua volta e fazer seu entorno melhor, em vez de economizar 500 reais para não ter que pagar o piscineiro, ou construir hotel de luxo em área ambiental protegida.

Mas chega um ponto que as cifras começam a perder o sentido. Lá pelos oito ou nove dígitos a coisa começa a feder, daí pra cima, só piora.

Sabe o que é mais bizarro? O número de pessoas que tem menos de 8 dígitos na conta é, sei lá, 99% da população. Como é que a gente não consegue se unir e acabar com essa palhaçada? Não faz sentido.

“Você não quis tentar me ajudar, e então? A culpa é de quem?”, continua a mesma canção do Legião.

Enfim. Levei 40 anos da minha vida para formar uma opinião sobre a economia, e é nisso aí que chego. Dinheiro é legal, é energia, mas só funciona enquanto energia em movimento, como água fluindo. Moeda demais no cy do dragão enfiado numa caverna (ou num bunker hipermoderno, para usar a versão contemporânea) vai dar ruim.

A gente vive num mundo de incentivos trocados, onde o mais são é investir em coisas cada vez mais abstratas, distantes da realidade física do mundo.

O mundo vai mudar? Minha opinião vai mudar? Talvez, vai saber o que vem por aí nos próximos 40.

Decidi colocar tudo nesse textão para não precisar mais falar tudo isso, agora vou só linkar isso aqui toda vez que eu escrever “precisamos acabar com os bilionários”.

Quero terminar com algumas recomendações:

Duas visualizações online de quanto é um bilhão, e o que daria para fazer com esse dinheiro:

Wealth, shown to scale
What does a billion dollars looks like

Um infográfico simples do Nexo que permite calcular a sua renda com o restante do país:
O seu salário diante da realidade brasileira (Nexo)

Por fim, recomendo o livro Walkaway, do Cory Doctorow, uma ficção cientfícia que leva ao extremo a desigualdade a ponto de uma ruptura entre a sociedade que ainda usa dinheiro e a sociedade “walkaway”, que abandona completamente a ideia de posse.

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